Hoje, vejo que tudo aquilo que meus pais quiseram me passar de melhor talvez não tenha sido tão bom como eles imaginaram que fosse. Seus ideais de mudar o mundo para que seus filhos pudessem desfrutar de uma vida saudável, justa e digna esbarraram em problemas mais extensivos. Ao invés de um presente, que a minha geração aproveitasse plenamente, da mesma maneira que desfrutaram nossos avôs, problemas foram herdados.
Eles pensaram em dar tudo o que de melhor existira e viria existir com os passar dos anos, as tecnologias, os transportes, o conforto, a educação, a diversão e a vida. Mas eles esqueceram que para garantir isso teriam que preservar o bem mais importante que lhes foi ofertado: a Natureza. O mundo em que vivemos agora já caminha para uma direção muito diferente daquela dita ideal. O Mundo foi mudado de fato, mas não para garantir o que os nossos pais desejaram para nós, mesmo que suas intenções tenham sido essas, e sim tudo aquilo que não desejaríamos aos nossos filhos. A miséria, a desigualdade, as guerras, a fome, a intolerância, o aquecimento global, a destruição dos ecossistemas e a extinção das espécies é a herança mais presente que nossos pais nos deixaram.
Hoje luto para reverter todo o processo ora desencadeado por toda uma geração que por muito tempo acreditou que a fonte fosse inesgotável. A fonte que gerou todas as gerações de formas de vida existentes, o substrato que amparou toda sua existência. O perigo que se torna cada dia mais iminente, talvez não seja mais reversível, mas continuarei a lutar todos os dias da minha vida para conseguir o equilíbrio novamente, porém deverá ser uma luta contínua que irá atravessar gerações.
Portanto peço desculpas aos meus filhos, por não dar eles o mundo que sonhei um dia viver e sim de delegar a eles a responsabilidade de continuar a luta para deixar aos meus netos um mundo ideal. Ao invés de ensinar-lhes a maneira de cuidar corretamente da nossa casa, como lidar com nossos vizinhos e respeitar tudo aquilo que nos foi ofertado naturalmente...


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