sábado, 16 de abril de 2011

Carta de desculpas aos meus filhos

Hoje, vejo que tudo aquilo que meus pais quiseram me passar de melhor talvez não tenha sido tão bom como eles imaginaram que fosse. Seus ideais de mudar o mundo para que seus filhos pudessem desfrutar de uma vida saudável, justa e digna esbarraram em problemas mais extensivos. Ao invés de um presente, que a minha geração aproveitasse plenamente, da mesma maneira que desfrutaram nossos avôs, problemas foram herdados.

Eles pensaram em dar tudo o que de melhor existira e viria existir com os passar dos anos, as tecnologias, os transportes, o conforto, a educação, a diversão e a vida. Mas eles esqueceram que para garantir isso teriam que preservar o bem mais importante que lhes foi ofertado: a Natureza. O mundo em que vivemos agora já caminha para uma direção muito diferente daquela dita ideal. O Mundo foi mudado de fato, mas não para garantir o que os nossos pais desejaram para nós, mesmo que suas intenções tenham sido essas, e sim tudo aquilo que não desejaríamos aos nossos filhos. A miséria, a desigualdade, as guerras, a fome, a intolerância, o aquecimento global, a destruição dos ecossistemas e a extinção das espécies é a herança mais presente que nossos pais nos deixaram.

Hoje luto para reverter todo o processo ora desencadeado por toda uma geração que por muito tempo acreditou que a fonte fosse inesgotável. A fonte que gerou todas as gerações de formas de vida existentes, o substrato que amparou toda sua existência. O perigo que se torna cada dia mais iminente, talvez não seja mais reversível, mas continuarei a lutar todos os dias da minha vida para conseguir o equilíbrio novamente, porém deverá ser uma luta contínua que irá atravessar gerações.

Portanto peço desculpas aos meus filhos, por não dar eles o mundo que sonhei um dia viver e sim de delegar a eles a responsabilidade de continuar a luta para deixar aos meus netos um mundo ideal. Ao invés de ensinar-lhes a maneira de cuidar corretamente da nossa casa, como lidar com nossos vizinhos e respeitar tudo aquilo que nos foi ofertado naturalmente...